Dr. Delio Maury, filho de Orlando Armando Maury e de Elsa Pereira Pinto Maury, nascido no Rio de Janeiro em 21 de março de 1925, ingressou na Marinha do Brasil em 19 de julho de 1945, tendo sido nomeado de acordo com o Decreto nº 217/1945, para exercer o cargo de Escriturário, classe “E”, do Quadro Permanente do Ministério da Marinha, sendo designado para a Divisão do Pessoal Civil da Diretoria do Pessoal da Armada em 14 de agosto de 1945. Titulou-se Bacharel em Direito pela Faculdade Nacional do Rio de Janeiro em 17 de janeiro de 1951. Em 10 de outubro de 1959, foi designado para exercer a função gratificada de Secretário da Diretoria de Portos e Costas pela Portaria nº 80/1959 do Diretor de Portos e Costas. Em 15 de julho de 1963, foi designado para exercer a função gratificada de Assessor Técnico na Diretoria de Portos e Costas. Em 24 de fevereiro de 1964, foi dispensado da função gratificada de Assessor Técnico por ter sido enquadrado no cargo de Assistente Jurídico pelo Decreto de 24 de fevereiro de 1964. Assumiu a função de confiança (DAS) de acordo com o Decreto nº 72.514/1973, sendo nomeado para exercer o cargo em comissão de Assessor Jurídico da Diretoria de Portos e Costas em 23 de agosto de 1973. Em 08 de março de 1994, foi apresentado ao Navio-Escola “BRASIL”, em caráter de destaque, por ter sido selecionado para realizar a Viagem de Instrução de Guardas-Marinha do ano de 1994.
Após cinqüenta anos de serviço público, em 30 de outubro de 1995, pela Portaria nº 689/1995, do Diretor-Geral do Pessoal da Marinha, teve declarada sua aposentadoria compulsória no cargo de Assistente Jurídico, permanecendo no cargo em comissão de Assessor Jurídico da Diretoria de Portos e Costas (DAS), para o qual havia sido designado, por mais onze anos até o dia 1º de julho de 2006, data de seu falecimento, completando sessenta e um anos de Serviço Público.
Em reconhecimento aos seus serviços, foi condecorado com as seguintes medalhas: “Prêmio Mérito Funcional” de 30 anos pela Portaria nº 1.374/1980, do Ministro da Marinha, “Prêmio Mérito Funcional” de 40 anos pela Portaria nº 775/1986, do Ministro da Marinha, “Medalha Prêmio” instituída pelo Decreto nº 51.061/1961, como prêmio aos funcionários civis que possuam cinqüenta anos de serviço público, “Prêmio Mestre Antônio da Silva”, pela Portaria nº 427/1999 do Diretor-Geral do Pessoal da Marinha.
Integrante dos quadros da Advocacia Geral da União o Dr. Délio Maury, além dos encargos atribuídos às suas funções, acumulava ainda as seguintes representações: Representante da Diretoria de Portos e Costas na Associação Brasileira de Direito Marítimo (ABDM) e Vice-Presidente da ABDM.
Deixou-nos, em 1º de julho de 2006, o Dr. Delio Maury, valoroso operador do Direito, arguto, embora para alguns parecesse tolo, pela sua mansidão, mas essa aparência revelava tão somente a grandeza de caráter de que era animado o saudoso amigo de tantos lustros. Viveu a sua vida envolto com as “urgências” dos processos e das consultas, no frenesi das papeletas rubras ou das etiquetas “URGENTE”. Assim viveu e, coincidência da sua vida, assim nos deixou de forma “URGENTE”. Lembro-me de um antigo dito popular, algumas vezes trazido à baila pelo ilustre Chefe da Assessoria Jurídica da DPC, quando queria chamar a atenção em relação àqueles que imaginavam estar redescobrindo a roda e adotavam posturas açodadas. Era assim o dito: “que atrás do morro tem morro bem o sabemos; todavia, quando o transpusermos temos que fazer com toda a cautela, a fim de não cairmos no vale, precaução que nem todos sabem tomar”. E era assim que se conduzia o velho causídico: com cautela, sempre atento às eventuais conseqüências de uma manifestação jurídica. Mas essa postura não o impedia de acolher entendimentos mais progressistas porque sabia que o Direito estava em constante evolução.
Casou-se com a sua companheira de toda uma existência, a Sra. Lígia, com quem teve três filhos: Délio, Márcio e Lourdes e educou-os na escola da retidão, da serenidade e da tolerância, pois era somente assim que entendia a vida: com honestidade, com serenidade e com acendrada capacidade de perdoar.
Deixará saudades sim, não só aos seus familiares, mas também àqueles amigos de muitos anos que privavam de sua amizade. Tenho para mim que o saudoso mestre, Dr. Délio, em seus últimos momentos, deve assim ter pensado, como proclamado por Ruy Barbosa: “Tenho o consolo de haver dado ao meu país tudo o que me estava ao alcance: a desambição, a pureza, a sinceridade, os excessos de atividade incansável, com que, desde os bancos acadêmicos, o servi, e o tenho servido até hoje.”
Mas os seus ideais permanecerão vivos na mente dos que cultivavam a sua amizade, os seus conhecimentos, e aqui encerro estas linhas transcrevendo lições do também saudoso Ruy Barbosa, muito apreciadas pelo Dr. Délio Maury, jurista de muitos lustros: “Mas, senhores, os que madrugam no ler, convém madrugarem também no pensar. Vulgar é o ler, raro o refletir. O saber não está na ciência alheia, que se absorve, mas, principalmente, nas idéias próprias, que se geram dos conhecimentos absorvidos, mediante a transmutação, por que passam, no espírito que os assimila. Um sabedor não é armário de sabedoria armazenada, mas transformador reflexivo de aquisições digeridas.”
Viveu assim, desapegado das coisas materiais, consoante a filosofia da religião que professava, que ensina a cultivar o espiritualismo e o altruísmo, fazendo o homem crer no invisível e ensinando que existem espírito e sentimento não só no ser humano, mas também nos animais, nos vegetais e nos demais seres. Quem não sabe o que procura não percebe quando encontra e você, Dr. Délio, sabia o que procurava e encontrou e por isso queremos agradecer por você ter servido à Obra Divina junto com seus antepassados, reafirmando sempre, todos os dias, esse pensamento.
Os seus amigos da Associação Brasileira de Direito Marítimo prestam essa última homenagem ao saudoso colega de tantos anos de participação nesta Associação.